MPB que toca
Comentários sobre discos e lançamentos de música popular brasileira.
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Alaor Ignácio dos Santos Júnior é graduado em Comunicação Social e mestre em Cultura Popular (Letras) pela Unesp. Foi repórter, chefe de reportagem e editor de vários jornais rio-pretenses; correspondente de programas independentes da Tv Cultura e do Diário Popular de São Paulo; editor da Tv Globo Noroeste Paulista; e, diretor de marketing de universidades. É cozinheiro bom, mas toca muito mal violão, flauta e piano. Ah! Tem uma super coleção de cds e vinis, além de uma biblioteca razoável sobre MPB.
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Segunda-feira, Março 20, 2006


Do tamanho do bom gosto

Eliete Negreiros lançou há anos um cd, cujo título era canções de 'tamanha ingenuidade', ou algo assim. Porém, Caipira, cd de Suzana Salles, Leline Santos e Ivan Vilela, traduz tudo isso com muito mais propriedade. Recolhendo canções de João Pacífico, José Fortuna, Zé do Rancho e outros ícones da música de raiz do sudeste brasileiro, o cd encanta.
Quem ainda não ouviu, ouça. Há versões especialíssimas para Índia e Meu Primeiro Amor, canções que já mereceram quase uma centena de gravações, e que ganham neste cd arranjos ímpares. Mas esses são apenas exemplos. O disco, como um todo, é mágico.

Alaor Ignácio dos Santos - 11:01 AM - Comentários:


Quarta-feira, Março 01, 2006

As marchinhas abrem as alas


Uns carnavais, outros. Já nos conhecemos desde então. Mas agora, ressurgem elas, revigoradas, revisitadas e tudo o que o prefixo latino 're' nos autoriza a recuperar e reavivar.

Politicamente incorretas; cantando cabelos que não negam, marias que à noite são joãos, perguntando se o Zezé é; ou carregadas de duplos sentidos, as marchinhas de carnaval nasceram num período de 60 anos, entre 1870 e 1930. Seus dizeres efêmeros se assemelham aos das crônicas: bem humorados, a fazer a história.

No ápice, dos anos 20 aos anos 60 do século passado, marcaram com letras picantes e pequenas reportagens ritmadas, as virtudes e defeitos de gerações. Sem nunca tê-lo visto, todos conheceram o pedreiro Waldemar, cantado por Blecaute, em 1949, que construía o edifício, mas depois não podia entrar nele. Na sua evolução, desde Chiquinha Gonzaga, as marchas-ranchos ou as marchinhas começaram abrindo alas, nas vozes de Linda e Dircinha Batista, vestiram a Máscara Negra com tanta saudade, cantada por Dalva de Oliveira, que mais tarde o menino Buarque criaria uma Noite, só dos mascarados.

O estertor parecia ter acontecido, sem deixar o humor, jamais, nos idos anos 60, cedendo espaço aos apoteóticos sambas-enredos. Mas estes é que parecem ter perdido a graça.

Nas ruas da cidade, dias atrás, desfilou um caminhão de Cultura da Prefeitura, entoando as velhas marchas. No Fantástico, um concurso revelou as novas. Como se lá de longe a marcha cantasse em primeira pessoa: 'taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim'.

Alaor Ignácio dos Santos - 3:22 PM - Comentários:

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