MPB que toca
Comentários sobre discos e lançamentos de música popular brasileira.
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Alaor Ignácio dos Santos Júnior é graduado em Comunicação Social e mestre em Cultura Popular (Letras) pela Unesp. Foi repórter, chefe de reportagem e editor de vários jornais rio-pretenses; correspondente de programas independentes da Tv Cultura e do Diário Popular de São Paulo; editor da Tv Globo Noroeste Paulista; e, diretor de marketing de universidades. É cozinheiro bom, mas toca muito mal violão, flauta e piano. Ah! Tem uma super coleção de cds e vinis, além de uma biblioteca razoável sobre MPB.
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Terça-feira, Maio 15, 2007

Psicodelia verde e amarela

A foto que aparece aí embaixo é de Lanny Gordin, que acaba de lançar o disco Duos, com 16 canções que trazem astros da MPB como Caetano , Gil, Gal, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Max de Castro, Chico César, Péricles Cavalcante e outros. Quem encara Lanny como o cara que pirou no ácido, viajou mais-que-ninguém, etc, merece ouvir esse CD ajoelhado sobre grãos de milhos. Lanny é muito mais do que difamações baratas. Aliás, é gentileza não piratear o disco, o autor necessita desses parcos direitos autorais, e faz por merecer um investimento a mais.

Alaor Ignácio dos Santos - 8:21 PM - Comentários:

8:14 PM - Comentários:

Primor villa-jobiniano

Sem mais, confiram o disco Tom & Villa, de Gilson Peranzzatta e Arthur Maia. Embora com mais de dez aninhos (ele foi lançado originariamente em 1986), escutamos um primor de execução da obras dos dois gênios. Vale!

Alaor Ignácio dos Santos - 8:00 PM - Comentários:


Segunda-feira, Março 05, 2007


Múltiplas teclas

Há algo de sonoro no ar: PianoDuo, de Eva Gomyde e Carlos Roberto Oliveira. Do começo ao final o CD demonstra a existência de músicos de altíssima dedicação, e inspiração ímpar. De clássicos de nossa música popular brasileira, como Escorregando, de Ernesto Nazareth, até primores da composição nacional, como Lôro, de Egberto Gismonti, o disco apresenta construções eruditíssimas que somente têm a acrescentar à nossa já deliciosa MPB. Um disco fantástico, que precisa ser ouvido, e bem ouvido...

Alaor Ignácio dos Santos - 10:51 AM - Comentários:


Quarta-feira, Janeiro 10, 2007


Transporte seguro

Coletivo é o primeiro álbum do compositor, cantor e instrumentista Sérvulo Augusto, mas dá aquela idéia de que é último. Tão bom em sua diversidade, que mescla sambão jóia, na canção Boca Livre - magistralmente interpretada por Elza Soares e por Sérvulo, com música instrumental da melhor qualidade, como Hermética, uma homenagem a Hermeto Pascoal, com a participação da BAnda Mantiqueira, Antonio Nóbrega e Oswaldinho do Acordeon. Coletivo é, enfim, um disco pra lá de maduro, desse compositor que já foi responsável por uma dezena de trilhas de filmes brasileiros. Em tempo, o CD conta também com Jane Duboc, Mônica Salmaso, José Rubens Chachá e Marlui Miranda. São onze canções que valem por uma história inteira da música popular brasileira. Ouvi e gostei.

Alaor Ignácio dos Santos - 11:50 AM - Comentários:


Segunda-feira, Dezembro 18, 2006


Acorde celeste

Gênio silencioso, Sivuca nunca se expôs demais na mídia. Tocou quando e onde havia necessidade de toques. Falou à razão das perguntas que lhe dirigiam, e sua respostas, ao menos aqueles que tivemos a oportunidade de ouvir, sempre foram da mais digna coerência. Não há o que se lamentar, Sivuca morre mas existe, como Tom Jobim. Sanfona da boa, nas gravações de Sivuca, são pianos de Tom.
A propósito, vale ouvir a canção Reunião de Tristeza, que ele gravou e onde canta com Rosinha de Valença, no show (e CD) ao Vivo, no projeto Seis e Meia, do Rio de Janeiro.
Com a chegada de Mário Zan há pouco dias, o céu vai virar uma festa de sanfoneiros.

Alaor Ignácio dos Santos - 8:05 AM - Comentários:


Domingo, Novembro 19, 2006


Boy é boy, vaca é vaca

Rogério Rochlitz é pianista e compositor, formado pela Unicamp. Figuríssima musical, gravou o CD Tango Zulu, no qual promove um curioso tour pela música instrumental. Consta na sua ficha o acompanhamento de cantores de estilos e carreiras tão distintos quanto um Danilo Caymmi, Bukassa, Skowa, Tião Carvalho, Maurício Pereira, Ney Mesquita e Sidney Magal. Seu release informa que participou dos grupos Jambêndola (com o qual lançou um cd de mesmo nome), e da Orquestra Paulista de Soul. Foi peça chave na concepção do CD Ney Mesquita, com canções de Dorival e Dori Caymmi, e arranjos de Eduardo Gudin. Rochlitz também compôs a trilha da instalação da artista plástica Regina Silveira.
Desponta com arte e talento uma geração que renova, com estilo e pegada, o extinto teatro Lira Paulista, que marcou uma trajetória ímpar da música brasileira - paulistana - do início dos anos 80. Ah! Já que tocamos no gênero, é bom que todos ouçam também os dois discos da banda Dona Zica: primores de ironia e sapiência. A propósito e voltando ao assunto, o nome do novo disco do Rogério Rochlitz é Carro de Boy, um trocadilho caboclo-contemporâneo.

Alaor Ignácio dos Santos - 5:45 PM - Comentários:


Sexta-feira, Outubro 20, 2006


Pérolas na rede

Dezenas de blogs, entre os quais o excelente http://br-instrumental.blogspot.com/ , estão disponibilizando em mp3 discos raríssimos, para os amantes da música popular brasileira. Todos aqueles vinis de Egberto Gismonti que não foram comercializados em CD, agora têm versão livre em mp3. Quer dizer, não sei se é livre, mas que todos podem baixá-los, isso podem.
Entre as pérolas há esse, cuja foto apresentamos aí no alto, do Regional de Pernambuco do Pandeiro. Gravado em 1959, o disco tem no acordeón ninguém menos do que o Hermeto Paschoal. Mas há também inúmeros outros blogs, que podem ser acessados a partir do br-instrumental que trazem curiosidades, como o Grupo D'Alma, O Terço, Marco Pereira e Cristóvão Bastos, entre centenas de outros. Uma pedida excelente...

Alaor Ignácio dos Santos - 3:30 PM - Comentários:


Quarta-feira, Outubro 11, 2006


Contos de fraudas

O bebê Tom Zé completa hoje 70 aninhos. Contrário a alguns outros, diz numa entrevista à Folha Ilustrada que não se sente preterido pelos ícones tropicalistas. Ao contrário, cita um provérbio chinês no qual a tônica é: se um amigo está querendo se afogar, deixe que ele se mate, porque caso contrário os dois morrerão. E isenta Caetano, Gil e parentes de qualquer responsabilidade sobre o seu ostracismo nas décadas de 70 e 80.
O bom menino demonstra que continua com um coração de gigante...

Alaor Ignácio dos Santos - 9:47 AM - Comentários:


Sexta-feira, Setembro 29, 2006



Elixir da juventude

No 'Cê, novo CD de Caetano Veloso, parece que o velho baiano procura manter-se jovem. Há uma espécie de procura pela juventude perdida, que leva o autor de tantas músicas que marcaram a MPB a dialogar com um rockinho fácil, adolescente. Bom, mas bobo. Julgar uma obra de Caetano Veloso é sempre uma temeridade, especialmente pelo estofo do autor. Mas exatamente por esse estofo, sempre se espera algo melhor.

Alaor Ignácio dos Santos - 11:34 AM - Comentários:


Domingo, Setembro 10, 2006


O velho e óbvio Walter

É sempre curioso ouvir Walter Wanderley. Um misto de obviedade e competência invade nossos ouvidos, deixando sempre aquela esperança de um improviso, uma pegada ou uma inovação no próximo acorde. Há um cd da Universal Music, o site é esse mesmo (www.universalmusic.com.br), da série Pure Bossa Nova, que nos apresenta uma compilação bastante expressiva do som do rapaz. E pronunciem 'rapaz' com o erre entre a língua e o esse paulista, pois a pronúncia do próprio nome do músico - Walter Wanderley - assim o merece.

Alaor Ignácio dos Santos - 7:48 PM - Comentários:


Sexta-feira, Agosto 25, 2006

Pausa para reflexão

Custou um tempo, mas voltamos. Esperamos atualizar este blog com mais freqüência. É que para escrever sobre música é preciso ouvir aos músicas, e confesso que andei um tempinho meio afastado da lida.
Pra quem ainda não ouviu, a dica é o amigo Ivan Vilela, violeiro do primeiro time. Ele abrirá o I Seminário Nacional de Cultura Popular, em Brasília, a partir de setembro (por gentileza, vejam a data no site do Ministério da Cultura). Vale, mas vale mesmo conferir...

Alaor Ignácio dos Santos - 4:20 PM - Comentários:


Quarta-feira, Maio 03, 2006


Um baú de felicidades

Se há alguém que dedica uma vida inteira à preservação da música brasileira e suas raízes, esse alguém é Inezita. No rádio, na televisão, na fala cotidiana, essa paulistana de influência inegável e amizades sólidas com pessoas igualmente lindas e sábias, como Paulo Vanzolini, Antonio Candido e tantos outros iluminados, é relembrada pela ótima gravadora Revivendo, de Curitiba, que lança nada menos que o CD ´Ronda´, com Inezita Barroso. Para os estudiosos da nossa música, uma fonte ímpar, para os amantes, um presente.
Olha só repertório, puxado da própria gravadora:
1. RONDA - (Paulo Vanzolini)
2. RETIRADAS - (Oswaldo de Souza)
3. REDONDO SINHÁ - (Recolhido por Luiz Carlos B. Lessa)
4. BENEDITO PRETINHO / MEU BARCO É VELEIRO - (Hekel Tavares e Olegário
Mariano)
5. MARVADA PINGA - (Laureano)
6. NHAPOPÉ - (Domínio Público)
7. CÔCO DO MANÉ - (Luiz Vieira)
8. O CANTO DO MAR - (Guerra Peixe e José Mauro de Vasconcelos)
9. TAIEIRAS - (Arranjo de Guerra Peixe)
10. NA FAZENDA DO INGÁ - (Zé do Norte)
11. ISSO É PAPEL, JOÃO? - (Paulo Ruschell)
12. RODA A MOENDA - (Haroldo Costa)
13. DANÇA DE CABOCLO - (Hekel Tavares e Olegário Mariano)
14. PREGÃO DA OSTRA - (Arranjo de J. Prates)
15. MESTIÇA - (Gonçalves Crespo)
16. MEU CASÓRIO - (Domínio Público)
17. IEMANJÁ - (Nelson Ferreira e Luiz Lima)
18. MARACATU ELEGANTE - (José Prates)
19. CATIRA - (Adaptação de R. de Souza)
20. SOCA PILÃO - (Arranjo de José Roberto e J. Prates)
21. OS ¿ESTATUTOS¿ DA GAFIEIRA - (Billy Blanco)

Agora, s'menino, conecte-se já à gravadora Revivendo e peça o disco. É a púra história do Brasil.

Alaor Ignácio dos Santos - 2:46 PM - Comentários:


Segunda-feira, Março 20, 2006


Do tamanho do bom gosto

Eliete Negreiros lançou há anos um cd, cujo título era canções de 'tamanha ingenuidade', ou algo assim. Porém, Caipira, cd de Suzana Salles, Leline Santos e Ivan Vilela, traduz tudo isso com muito mais propriedade. Recolhendo canções de João Pacífico, José Fortuna, Zé do Rancho e outros ícones da música de raiz do sudeste brasileiro, o cd encanta.
Quem ainda não ouviu, ouça. Há versões especialíssimas para Índia e Meu Primeiro Amor, canções que já mereceram quase uma centena de gravações, e que ganham neste cd arranjos ímpares. Mas esses são apenas exemplos. O disco, como um todo, é mágico.

Alaor Ignácio dos Santos - 11:01 AM - Comentários:


Quarta-feira, Março 01, 2006

As marchinhas abrem as alas


Uns carnavais, outros. Já nos conhecemos desde então. Mas agora, ressurgem elas, revigoradas, revisitadas e tudo o que o prefixo latino 're' nos autoriza a recuperar e reavivar.

Politicamente incorretas; cantando cabelos que não negam, marias que à noite são joãos, perguntando se o Zezé é; ou carregadas de duplos sentidos, as marchinhas de carnaval nasceram num período de 60 anos, entre 1870 e 1930. Seus dizeres efêmeros se assemelham aos das crônicas: bem humorados, a fazer a história.

No ápice, dos anos 20 aos anos 60 do século passado, marcaram com letras picantes e pequenas reportagens ritmadas, as virtudes e defeitos de gerações. Sem nunca tê-lo visto, todos conheceram o pedreiro Waldemar, cantado por Blecaute, em 1949, que construía o edifício, mas depois não podia entrar nele. Na sua evolução, desde Chiquinha Gonzaga, as marchas-ranchos ou as marchinhas começaram abrindo alas, nas vozes de Linda e Dircinha Batista, vestiram a Máscara Negra com tanta saudade, cantada por Dalva de Oliveira, que mais tarde o menino Buarque criaria uma Noite, só dos mascarados.

O estertor parecia ter acontecido, sem deixar o humor, jamais, nos idos anos 60, cedendo espaço aos apoteóticos sambas-enredos. Mas estes é que parecem ter perdido a graça.

Nas ruas da cidade, dias atrás, desfilou um caminhão de Cultura da Prefeitura, entoando as velhas marchas. No Fantástico, um concurso revelou as novas. Como se lá de longe a marcha cantasse em primeira pessoa: 'taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim'.

Alaor Ignácio dos Santos - 3:22 PM - Comentários:

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